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Tem sido complicado governar.

Presidente da Junta de Albergaria da Serra (Pedro Tavares) lamenta ter poucos recursos.
Pedro Tavares preside aos destinos da Junta de Freguesia de Albergaria da Serra desde há nove anos, a mais pequena circunscrição do concelho de Arouca. Esta freguesia está situada em plena Serra de Freita e tem 14,32 km2 e uma população de 170 pessoas.


Como é dirigir a freguesia com menos população do concelho de Arouca e situada em plena Serra da Freita?
Além da freguesia ser pequena, temos contra nós a distância que nos separa da sede do concelho (entre 16 a 20 km, conforme as estradas escolhidas) e a falta de transportes dificulta a saída dos moradores, que actualmente são 170 (a mais idosa, com 94 anos, é Arminda Tavares). Quando chega o Verão a população duplica com a chegada dos emigrantes e imigrantes.


Como convive o povo de Albergaria da Serra com esse acréscimo populacional?
Os visitantes vêm à procura da Natureza e do que ela lhes proporciona. Aqui na Serra da Freita temos a famosa Frecha da Mizarela, as «Pedras Parideiras», diversos monumentos pré-históricos e bonitos lugares como o da Ribeira. Não é só no Verão que vêm pessoas, mas também no Inverno, quando a neve começa a aparecer nestas serranias. As condições para receber toda essa gente não são as melhores. Existe o Parque de Campismo, no lugar de Merujal, já na vizinha freguesia de Urrô, mas nota-se a falta de certas estruturas para o acolhimento de tanta gente e debatemo-nos com problemas vários, tais como a falta de civismo dos veraneantes que estragam o que a natureza lhes mostra. São autênticos vândalos à solta...


Qual a principal actividade dos habitantes de Albergaria da Serra?
A agricultura é ainda uma das actividades principais de quem que por aqui ficou, mas não dá grandes rendimentos e a população em idade laboral trabalha para a zona de S. João Madeira, Vale de Cambra e nas obras um pouco por todo o lado e, como disse, na emigração. Uma das nossas maiores riquezas é ainda a criação de gado arouquês e de gado lanígero. Há umas 300 vacas e vitelas e 900 cabras e ovelhas. No meu caso pessoal, sou presidente da Junta de Freguesia há nove anos. Estou no meu terceiro mandato e tem sido muito complicado governar, dado os poucos recursos da freguesia.


Como reage a população à nova paisagem que lhes é mostrada pela existência na Serra da Freita das torres de captação de energia eólica?
A dona do parque é a Freita Eólica e ENEPLUS. Elas subcontrataram vários trabalhos com diversas empresas que fizeram os transportes de peças pesadas. Os caminhos não estavam preparados para tanto movimento e ficaram em péssimo estado dado a tonelagem desses camiões, mas as empresas vão colocar as estradas em condições, por causa do compromisso social que têm. O Parque Eólico compreende um total de 16 torres.


Se for avante a nova lei de divisão territorial Albergaria da Serra é uma das freguesias que deixará de ser por causa do número limitado de habitantes. Já falaram neste assunto?
Por acaso já abordámos essa questão numa Assembleia de Freguesia, pois a nova lei que já “está a ser cozinhada” vai acabar com a freguesia e os nossos assuntos passarão talvez para a freguesia de Moldes, por ficar mais perto, mas também a de Chave ou Rossas não ficam longe. A seu tempo tudo se resolverá.


O vosso programa para este ano está a ser cumprido?
O nosso plano de actividades está quase cumprido na totalidade. A maior das obras foi o calcetamento de caminhos em calçada à portuguesa a rondar quase 600 metros de cumprimento por quatro de largura. Abrimos um outro caminho no lugar da Castanheira, um troço florestal com quase 2Km junto à ponte sobre o rio Caima, na entrada da freguesia onde fizemos um tapete betuminoso por se encontrar muito degradada.


In O Primeiro de Janeiro, 12-10-2006