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Albergaria da Serra é uma
freguesia rural do concelho de Arouca e distrito de Aveiro.
O seu orago é Nossa Senhora da Assunção,
nome pelo qual foi outrora designada e conhecida; está
situada
junto da Serra da Freita, que lhe fica a sul e nesta freguesia
nasce o rio Caima; perto do lugar da Mizarela encontra-se a
célebre frecha ou fisga da Mizarela (queda de água),
com cerca de 90 metros de altura, muito visitada por inúmeros
turistas e aventureiros. O turismo começa a ter alguns
frutos nesta freguesia, uma vez que os seus locais de campismo
são, já desde alguns anos, bastante procurados
e frequentados. Curiosas são também as famosas
"Pedras Parideiras", grandes escarpas que "largam"
constantemente, lascas de pedras, por isso denominadas de "parideiras".
Os habitantes desta freguesia dedicam-se, desde tempos muito
remotos, à agricultura e à pastorícia,
essencialmente, ocupando-se do pastoreio de ovelhas, cabras
e vacas e cultivando algum milho e centeio no Verão.
Toponímia:
Esta freguesia designava-se, no início do século
XIII, como "Albergaria de Monte Fuste"
(11 albergaria montis de fuste ") e, na primeira
metade do século XVI, segundo o Censual da Mitra de
Lamego, ainda ostentava o mesmo topónimo. Por vezes
era simplesmente denominada por "Albergaria"
("Aluergaja") e, ao longo dos tempos chamou-se
"Albergaria da Serra",
"Nossa Senhora da Assunção de Albergaria"
e mais tarde "Albergaria das Cabras", topónimo
que se vulgarizou no início do século XIX e
que perdurou até há alguns anos atrás,
onde voltou a chamar-se "da Serra". Houve também,
quem lhe chamasse "Albergaria de Roças",
por uma parte do Monte Fuste ter pertencido à Comenda
de Rossas.
O seu nome, "Albergaria", deve-se ao facto de aí
ter existido uma pousada ou albergaria, fundada pela rainha
D. Mafalda e ampliada e protegida por sua neta homónima,
a rainha "Santa Mafalda". Simões Júnior
refere-se ao facto dizendo que esta freguesia teria sido escolhida
para albergar a dita pousada, por ter em toda a serra, o lugar
mais "cómodo" para a construir. Alusiva a
esta albergaria, subsiste uma lápide de granito na
parede do cemitério local, datada de 1641, dizendo
ser albergaria para pobres e passageiros com a obrigação
de dar duas camas, uma para pobres e outra para ricos: "aiurgaria
pa pobres/ e pasageiros comi obrigação de dar/
duas casas hua! pa pobres outra, po/ ricuos renovada! em todos
semanas!.../ nha era dei 641 ".
D. Joaquim de Azevedo, na "História Eclesiástica
do Bispado de Lamego", refere-se a esta placa antes da
sua transferência, localizando-a perto da Igreja II
(..) da qual, ao norte, se vêem uns pardieiros e uma
pedra com letreiro gasto que se não pode ler e dizem
os vizinhos ser hospital ou albergaria (..) ".
A sua Antiguidade:
A sua antiguidade como povoação, encontra-se
atestada através da toponímia, em nomes como
"Portela de Anta" e "Anta" e através
da existência de uma grande mamoa com um dólmen
principal e outros secundários, que se encontram no
referido local de Portela de Anta, o mesmo onde, em 1257,
foi colocado um marco divisório do couto de Arouca,
alargado por doação de D. Afonso m, a 20 de
Outubro do mesmo ano, à Abadessa do Mosteiro de Arouca:
"(..) et deinde quomodo vadit ad Portellam de Antha,
et est ibi positus unus patronus, et inter ipsum patronum
et Ferram de Antha vadit strada (..) ". Por esta
freguesia passava também, a antiga via romana que seguia
de Viseu até ao Porto; era designada, na Idade Média,
por estrada e depois por estrada velha e estrada mourisca.
Segundo as Inquirições de 1258, esta freguesia
de Albergaria da Serra, tinha sido coutada por D. Sancho I
(" (..) erat totum regalengum et est coutum (..)
") e, como já havia sido dito, ficou abrangida
no couto e doações de D. Afonso m à Abadessa
e Mosteiro de Arouca, no ano de 1257.
O relatório de 1747 referente a esta freguesia diz
que, antigamente, se pagava uma pensão a quem tocasse
uma buzina até certas horas da noite, isto para que,
se
algum passageiro andasse perdido na serra, viesse até
à povoação conduzido pelo som da buzina,
afastando-se de perigos maiores, como é o caso dos
lobos, que abundam
nesta região. No entanto, hoje em dia já não
se procede desta forma. O "Dicionário" de
1747 (p. 118-119) diz que "he Senhora Donataria desta
terra (Albergaria das Cabras) a Madre Abbadessa do Real Mosteiro
de Arouca ".
No "Dicionário" de 1758, não se encontra
o relatório referente a esta freguesia, não
se sabendo ao certo se se perdeu ou não teria sido
enviado. No entanto, o sacerdote que organizou os volumes,
escreveu por seu próprio punho, no suplemento n°
42, uma breve notícia sobre a povoação.
O pároco era cura anual apresentado pela Abadessa do
Convento de Arouca e tinha, em 1758, a côngrua de cem
mil réis. D. Joaquim de Azevedo afirma ter esta frguesia
uma "igreja parochial de Nossa Senhora da Assumpção,
curato que renderá 60$000 réis da apresentação
da abadessa das freiras de Arouca, da ordem de S. Remardo
(..) ". Albergaria da Serra pertenceu à diocese
de Lamego e, em 1882, passou a integrar a diocese do Porto. |
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